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domingo, 17 de janeiro de 2016

Sobre relacionamentos

O que sustenta uma relação?


Fazendo uma introdução ao tema, do porquê escrevo sobre isso, quero registrar que as postagens feitas nunca foram "do nada". Sempre tiveram alguma ligação com o que estou sentindo, passando, vivendo no momento. Ou seja, as postagens são frutos de sentimentos verdadeiros e não são empíricas, não são suposições, ensaios ou um mero "pensar sobre".

Uma vez dito, vou falar sobre relacionamentos, especificamente relacionamentos amorosos. Os demais relacionamentos (como já foi falado anteriormente aqui) ficam para outra postagem.

Como um bom geminiano, como um bom "matemático" ou um bom ser "racional", venho tentando encontrar, identificar padrões, modelos, que nem Descartes falava em estabelecer modelos matemáticos para todos os eventos da natureza; Eu não chego a tanto; a querer estabelecer modelos ou padrões universais, mesmo porquê para quem não acredita em uma "verdade universal", uma verdade única (já postei sobre isso aqui), isso seria praticamente "impossível" (mas ainda assim é questionável). A proposta não é essa. Mas, ainda assim, com essa "veia matemática", arrisco a dizer que, na tentativa de explicar ou identificar o que sustenta uma relação (amorosa - esse é o foco da postagem), não importando (quero deixar claro) quais relações sejam, de homem para homem, mulher para mulher ou mulher para homem, ainda assim são relações, não é o sexo, a paixão ou o amor que a sustenta.

Vamos começar pela paixão. Essa é a forma menos provável de ser um sentimento que sustente uma relação, exatamente pela sua efemeridade. Mesmo sendo intensa, forte, urgente, arrebatadora, ainda assim, é breve. É curta. Tem os dias contados. Aparentemente, dá a impressão, aos apaixonados, que aquilo vai durar "para sempre"! Sim! É verdade! Nos dá essa impressão (como disse Vinícius de Moraes, "que seja eterna enquanto dure"). Mas como nada é eterno, como já comentado aqui, nem a nossa vida é eterna, imagine a paixão! Pode durar um dia, uma semana, um mês, um ano, uma década, mas ainda assim terá um fim (nem que seja pela morte do ser amado - não existe Matusalém); Mas não vamos discutir essa questão. Fora a paixão, que ilusoriamente nos faz acreditar em uma relação "eterna", temos ainda o sexo e o amor.

O sexo... bem... esse é mais "polêmico" que a paixão exatamente por ser (acredito e classifico assim) um sentimento visceral, uma necessidade fisiológica do ser (animal) humano. Então, pensando dessa forma, dispensa maiores comentários sobre o sexo manter, sustentar uma relação. É claro, não posso deixar de registrar, que tem muitas relações que se baseiam nisso. Em que o sexo é maravilhoso, estupendo, sem igual, inenarrável. Sim! Existe! Claro! Acredito que para pessoas que são altamente sexuais (mais animais que seres sociais), sim, sustenta (por um bom tempo) a relação. Mas ainda assim, acredito que é, de certa forma, efêmero, similarmente à paixão. Ainda mais na sociedade em que vivemos que cultua relações monogâmicas (farei outra postagem sobre relações monogâmicas, poligâmicas, etc... por enquanto deixo a seguinte frase: "a traição é a não monogamia numa relação monogâmica" - veja aqui).

Vamos ao amor. Ah! O Amor! Muitos acreditam que o amor é supremo, é superior a tudo, transcende, ultrapassa toda a nossa racionalidade. É assim por um simples motivo: foi construído nas nossas mentes dessa forma! O "amor", assim como vários outros princípios e valores, é construído, é uma convenção social em que nós somos condicionados, educados, até adestrados, a enaltecer, como a mais pura verdade, como uma coisa "impossível" de se alcançar, como o mais puro dos sentimentos. Que seja! Não quero aqui, agora, debater ou discutir sobre o amor (além de outras postagens, tenho uma visão mais política/social sobre o amor); O fato, que estou considerando nesta postagem, é o "amor" comum, "amor sexual" (só para deixar claro, não é o amor maternal/paternal, fraternal, de amizade, ou outro qualquer). Estou falando de amor entre pessoas (sem o vínculo parental - ou até que exista, já que foi criada a palavra "incesto" para isso; enfim, não é o foco desta postagem). Esse amor ao qual estou me referindo, como postado anteriormente aqui, é o amor construído, aos poucos, lentamente, "tijolo por tijolo". 

Sobre esse amor construído, edificado, podemos ver diversos exemplos dessas construções. Verdadeiros "castelos", construídos "tijolo por tijolo", durante anos, de forma perfeita! Mas, vazios. Grandes construções, mas ocos, sem móveis, sem conteúdo. Os construtores se orgulham em expor seu feito para a sociedade: olhem que construção linda, sólida, inabalável... foram 50 anos de dedicação, esforço, luta, blá blá blá... mas, ainda assim vazio, sem conteúdo, sem essência. De que adianta viver de aparências, de estética, de "modelos"? Desfaço, derrubo, desconstruo esse tipo de amor falso, "fake". Mas, infelizmente, as pessoas que fazem essa grande edificação, olham para trás e não têm coragem de largar, abrir mão, derrubar, demolir o que foi construído, pois gastaram tempo, força, esforço, sentimentos, dedicação e vários outros sentimentos. Por isso sustentam, mantêm, todo o castelo. Não é fácil. Não estou dizendo que é fácil. Mas se quisermos ser verdadeiros conosco e com o outro, podemos, devemos, derrubar essa construção e nos darmos a chance de construirmos outro prédio, casa, casebre que seja, mas de forma consistente e preenchê-lo com sentimentos, vivências, com vida. Mas ainda assim, não é o foco da postagem. Quero falar sobre, então, o que sustenta, verdadeiramente, uma relação?

É simples. Existem outros sentimentos que, acredito, sejam mais significativos para uma relação. Amizade, afinidade, admiração pelo outro, companheirismo, lealdade, cumplicidade, compreensão, paciência, congruência na forma de viver, nos princípios e valores; nos quereres; na forma de encarar as dificuldades; o saber ceder, abrir mão de coisas, de momentos, tudo isso compõe a "fórmula" da sustentação de um relacionamento (apesar d'eu ser bem egoísta quanto a isso - cabe outra postagem a respeito). Ou seja, acredito que pode existir relação sem paixão, sem amor e sem sexo. Pode-se sim estabelecer relação sem esses itens. Acredito! Podemos, sim, ver felicidade entre as pessoas que se relacionam assim, sem esses sentimentos - até dizem que é amor. Sim. Mas não o amor carnal, visceral. É um outro tipo de amor - que seja! Contanto que um não seja o "objetivo" do outro, como um objeto de conquista; porquê de assim for, uma vez conquistado perde-se o sentido da busca. 

O que acredito sobre o que é amor (da forma que penso) é tudo isso que falei. Pode conter todos esses sentimento citados acima. Mas não é só isso. É transcendente. "Sobrenatural". Não se explica. Existe e pronto. E para polemizar, não perdendo meu jeito de ser, eu dou o nome que eu quiser ao o que eu sinto. É meu sentimento e pronto. E isso basta para mim (demonstrando meu egoísmo). 

Enfim, resumindo, sexo, amor e paixão não sustentam relacionamento. Relacionamento se sustenta por  afinidade, por uma empatia forte, por uma sintonia de quereres e interesses.

"Uma relação nem sempre termina pq não é feliz. Às vezes termina para preservar a felicidade da memória." (Fabrício Carpinejar)

"As pessoas são responsáveis e inocentes em relação ao que acontece com elas, sendo autoras de boa parte de suas escolhas e omissões." (Lya Luft)

"Seja qual for o relacionamento que você atraiu para dentro de sua vida, numa determinada época, ele foi aquilo de que você precisava naquele momento" (Deepak Chopra)

"... o único encanto do casamento está na vida de decepção indispensável a ambas as partes." (Oscar Wilde em "O Retrado de Dorian Gray")

"A vida conjugal é simplesmente um hábito, um mau hábito. Mas lastima-se até a perda dos maus hábitos; talvez seja mesmo o que mais se lastime; os hábitos são uma parte essencial da personalidade." (Oscar Wilde em "O Retrado de Dorian Gray")

"Um homem pode ser feliz com qualquer mulher durante o tempo que não a ama..." (Oscar Wilde em "O Retrado de Dorian Gray")

"Quando uma mulher torna a casar-se, é porque detestava o primeiro esposo. Quando o mesmo se dá com o homem, é que ele adorava a primeira mulher. Estas procuram a felicidade, os homens arriscam a sua." (Oscar Wilde em "O Retrado de Dorian Gray")


terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Relacionamento Perfeito

Quem nunca esperou o "príncipe encantado"?


Acredito que a busca por "casamentos" sempre foi um objetivo de todos desde que a sociedade começou a se organizar. Até onde tenho conhecimento, era mais cobiçado pelas mulheres e nem tanto pelos homens. Mas o foco da postagem não é fazer uma retrospectiva sobre o "casamento", mas registrar fatos que tenho observado na atualidade, no comportamento e visão das pessoas com relação ao tema.

Tenho percebido um "desespero" exacerbado de muito em busca de um relacionamento estável e duradouro. Todos querem cumprir o "script" de "casar", ter filhos e ser feliz para todo o sempre ("amém").

Então, saem em busca de possíveis namoradas(os) em todos os meios. Seja na balada, na fila do cinema, do banco, do mercado, da farmácia, da loteria e nos diversos aplicativos de "encontros". Todo o papo se desenrola com um único objetivo: encontrar "o par perfeito" - a sua "cara metade", a "outra banda da laranja"... QUE MALUQUICE!

Em alguma outra postagem já registrei que não existe "cara metade", "complemento". Já somos completos por nós mesmos. Besta (para no dizer adjetivo pior) é aquela(e) que não se acha completa(o) ou que espera que outra pessoa venha te "completar". Como não somos perfeitos, consideremos que, de fato, não sejamos completos. Lanço logo uma questão: partindo dessa premissa (da não completude) você acredita que uma outra pessoa (que também não é perfeita/completa) irá te completar perfeitamente? Essa suposta pessoa suprirá todos os seus defeitos? Os seus defeitos serão todos "preenchidos" pelas qualidades dessa pessoa e vice-versa? Que ilusão!!! CLARO QUE NÃO! É mais fácil acertar na loteria do que existir uma pessoa assim e que você a conheça nesta vida.

Neste ponto chegamos aonde eu queria realmente chegar: por um raciocínio lógico podemos concluir que essa pessoa não existe - e se existe (seu complemento perfeito) a probabilidade de você encontrá-la é quase ZERO. E tudo isso leva a um sentimento "ruim": a frustração (tema já postado aqui no blog).

É loucura pensar que existe tal pessoa ("perfeita"). É por isso que os relacionamentos atuais não duram tanto tempo pois já começam assim: "oi, tudo bem? Vamos nos casar?". Tem quem procure relacionamento em baladas. Conhecem, batem meia hora de papo (sob efeito do álcool, provavelmente) e acham que estão de frente do seu "príncipe encantado", que no outro dia acordará e será resgatado(a) da prisão na torre. Bah! Repito: IDIOTA. Outros(as) procuram relacionamento em aplicativos que mostram fotos e perfis "fakes". Se encontram e percebem (quando acontece) que não era realmente quem achavam e que não serve para ser o seu "príncipe encantado" - pois já vão com essa expectativa. Por fim tem aqueles que caem no conto da(o) amiga(o) que tem um(a) amigo(a) "perfeito" para você. E acha que serão felizes para todo o sempre. Gente!!! Relacionamento, repito, não é fim de caminho, não pode ser encarado como objetivo de vida! Relacionamento é conseqüência!

De fato com o advento da tecnologia, da internet, tudo se torna mais fácil e rápido - assim como mais efêmero. Baumann já escreveu sobre modernidade, amor, vida, tudo líquido fazendo referência à sua fluidez e à sua efemeridade.

Bom, não me prolongando muito, serei bem objetivo:

  1. Já somos completos por nós mesmos, ou seja, ninguém completa ninguém. Não existe metade da laranja; cara-metade; alma gêmea, nada disso;
  2. Relacionamento não deve ser encarado como "objetivo de vida" e sim meio de caminho. Relacionamento é consequência e não fim;
  3. Objetivos de vida, acredito, devam ser coisas que só dependem de você. É fazer uma viagem; Concluir um curso; Comprar alguma coisa (apesar d'eu ser contra esse tipo de objetivo - consumir/comprar); Bater uma meta; Se superar em algo; 
  4. Não podemos depositar no outro a responsabilidade de nos fazer feliz;
  5. Não encare a felicidade como uma coisa fixa e duradoura - "para sempre" - NADA é para sempre. Nem a nossa vida!!! (sobre felicidade já escrevi aqui)
  6. Sim! Acredito na possibilidade de relacionamentos poliamorosos (isso é tema para outra postagem) - por enquanto fiquem com esses links: poliamor1 - poliamor2 

A frases dessa postagem não têm exatamente a ver com amor, poliamor ou relacionamentos, mas tem a ver com LIBERDADE (ou algo contrário a ela) pois acredito que no final só quem é livre é que pode amar livremente.

"A traição é a não monogamia numa relação monogâmica" (site: http://tab.uol.com.br/poliamor/)

"A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo." (Fernando Pessoa)

"Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência." (Leon Tolstoi)

"A liberdade e o amor são incompatíveis. Quem ama é sempre escravo." (Madame de Staël)

"Nunca estamos tão mal protegidos contra o sofrimento como quando amamos; nunca estamos tão irremediavelmente infelizes como quando perdemos a pessoa amada ou o seu amor". (Freud)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Paixão

Você viveria bem sem estar apaixonado?
Bom, antes de mais nada é preciso registrar: não estou apaixonado! Esse é o tema desta postagem. Faz tempo que venho querendo escrever sobre a "não paixão", ou melhor, sobre a vida sem paixão.

Quando me veio a idéia de escrever sobre esse tema, eu estava em uma fase "apaixonado". Mas agora não. O que é uma coisa totalmente nova para mim pois, sempre, sempre mesmo, eu estive apaixonado por alguém (ou "alguéns" ;). Não tenho registro de algum momento em minha vida em que eu não estivesse apaixonado e não acreditava que alguém poderia não estar apaixonado. Eu achava uma coisa impossível! Até que nesses últimos (+/-) seis meses eu me vi assim: "desapaixonado".

É uma sensação de vazio; angustiante o fato de não sentir o coração bater mais forte ao pensar em alguém; desanimador ver as horas passarem e não ter ninguém para ligar (com aquela vontade incrível de falar); frustrante não ficar nervoso, ansioso à espera de alguém; decepcionante dormir e acordar sem ter em quem pensar; enfim, é péssimo viver sem estar apaixonado!

Nunca acreditei que passaria por essa situação. Então, quando percebi que estava passando, pensei: preciso me apaixonar. Para mim, a paixão é o motor da vida; é o que faz você querer viver dia após dia; é o que te mantém jovem, alegre, feliz, de bem com a vida. É o que dá cor ao cenário.

Falando de paixão de forma ampla, é muito importante estarmos apaixonados por tudo o que fazemos. Estar apaixonado pelo trabalho, acordar na segunda-feira com aquela vontade de trabalhar, de "dar conta" do que se tem para fazer no trabalho; não aguentar de esperar a hora de ir para a faculdade, assistir aula, viver o ambiente acadêmico; não ver a hora de encontrar os amigos para conversar, trocar ideias, dar risada; esperar ansiosamente o final de semana para ir à praia, ficar só, assistir um filme, almoçar em um lugar legal... enfim, estar apaixonado pela vida.

Falando de paixão da forma mais restrita, paixão entre pessoas, atração física, troca de olhares, respiração ofegante, coração a mil, tremores, rubores, a ansiedade, todos são sentimentos agradáveis, revigorantes, rejuvenescedores. Na minha verdade (gosto sempre de falar da verdade desta forma para deixar claro que não sou o "dono da verdade" - hehehe), acho que a paixão é tudo! Amor? Isso fica para depois... como já escrevi antes, amor é a consequência natural de se viver uma paixão por muito tempo...

Amor já tenho o suficiente. Tenho amor de amigos, parentes e filho. O amor (como já escrevi antes) é morno, brando, estável. Não é isso que quero por agora. Já a paixão, não! É como diz a música de Rita Lee "Amor e Sexo", só que neste caso troco o "sexo" por paixão... acho que se encaixaria bem na letra também.

Uma coisa importante que devo registrar: toda a paixão é boa quando é correspondida. Não vale aquela paixão "platônica", inalcançável, utópica. Essa não é a verdadeira paixão à qual me refiro. Essa é uma paixão unilateral. Digo isso porque nesses últimos seis meses me apaixonei sim... por uma ou duas pessoas (no máximo). Mas não fui correspondido. Então, essas não contam. Quero viver uma intensa paixão correspondida, sem me preocupar se ela vai durar um ano, um mês, uma semana ou um dia. Mas quero viver ela intensamente o tempo que dure. "Que seja eterna enquanto dure", como já disse Vinícius de Moraes.

Podem dizer: a paixão eh um sentimento efêmero. Passa. Acaba (ou diminui com o tempo). Sim! Concordo. Sei disso. Mas aí é que está o "pulo do gato": neste momento trocamos de paixão! Qdo a paixão diminui e você continua com a pessoa, provavelmente a paixão está se transformando em amor. Se você estiver afim de viver esse novo "amor", tudo bem, continue. Se não... arranje outra paixão! É, podem de chamar de insensível, sacana e outros palavrões mais pesados. Mas é isso. É isso que quero viver. É disso que estou em busca. Mas uma coisa deixo claro: eu aviso antes à pessoa com que estou iniciando esta "paixão" a minha posição e no que eu acredito. Se ela topa continuar é por conta e risco dela (é fácil falar... é difícil acontecer - é difícil encontrar alguém que pense como eu penso, que sinta como eu sinto, que queira o que eu quero - mas vou tentando!)

Quero encontrar alguém para cometer "loucuras" comigo. Que ma faça propostas indecentes, que me surpreenda! Que me mostre coisas novas, situações novas, lugares novos, músicas novas, texturas, sabores, cheiros novos. Quero me apaixonar por tudo isso. Pelo o que ela fala, pensa, pelo olhar, voz e toque dela. E mesmo que dure pouco ou por acaso do destino ou por ela querer "pular do barco", tudo bem! Eu ainda dou colete salva-vidas e deixo ela seguir o caminho dela, mesmo que me deixe um sofrimento intenso; Pois se chego a sentir essa dor intensa é porque tive momentos de grandes e fortes emoções, ou seja, valeu a pena!

Alguns me chamam de masoquista, mas é isso: quero sofrer por uma grande (e vivida) paixão.

"Paixão é uma infinidade de ilusões que serve de analgésico para a alma. As paixões são como ventanias que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveriam viagens nem aventuras nem novas descobertas." (Voltaire)

"A única diferença entre um capricho e uma paixão eterna é que o capricho dura um pouco mais...." (Oscar Wilde)

"Quem vai dizer ao coração que a paixão não é loucura, mesmo que pareça insano acreditar..."(Oswaldo Montenegro)

"A paixão destrói mais preconceitos do que a filosofia." (Denis Diderot)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Dor...

Dor física x dor emocional.
Qual é a sua dor?

É complicado esse lance de dor. O limiar de tolerância da dor varia de pessoa para pessoa. Uns suportam mais dor do que outros, seja ela qual for, física ou emocional. Para a dor física geralmente existe um remédio (ou um "fármaco":) que a ameniza. Já para a dor emocional... é mais complicado... é como soro anti-ofídico: a "cura" está no próprio veneno.

Não vou falar da dor física. Essa fica para médicos, farmacêuticos, fisioterapeutas...

A dor emocional tem ainda várias "versões". Pode ser gerada/provocada pela perda de um parente ou pessoa próxima; pode se originar em uma paixão/amor não correspondido e/ou no fim de um relacionamento; entre outras.

Falando mais especificamente: a dor da paixão. Quem nunca teve uma paixão não correspondida? Quem nunca "sofreu por amor"? Essa só o tempo dá conta... só o tempo consegue "apagar" ou no mínimo torná-la mais leve...
Tem casos em que nem mesmo o tempo consegue levar. Sempre fica uma pontinha lá no fundo... pode não ter mais a "chama da paixão" mas fica uma brasa entre as cinzas... pode até ser uma brasa pequenina que não causa mais dano algum, mas não deixa de ser uma brasa... (e fênix? hahaha)

Bom, pior é o caso em que não podemos fazer nada. Nada mesmo. Nem contar sobre nossa dor, ou sobre a origem dela... aí é que "o bicho pega"... temos que ter um estômago forte para não corroer quando a engolimos.

Trago um texto de Drummond que achei bem interessante:

"Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional..."

Carlos Drummond de Andrade

"Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente."
William Shakespeare

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Reinventando o Amor

É possível?

Reconquistanto o outro
Surpreendendo o outro
Admirando o outro

Sonhos compartilhados
Felicidade construída

Passado valorizado
Passado admirado
Passado: lições aprendidas

Sinceridade em voga

Individualidade respeitada
Individualidade preservada

Corações abertos

Diferenças reconhecidas
Diferenças aceitas

Muita conversa
Muita besteira

Pudor derrubado

Intimidade limitada*

Segredos?
Se for o caso...

Novo amor criado
Novo amor construído
Novo amor constituído.

* Dizem que a intimidade é o que estraga uma relação
Sim, acredito nisso piamente...

"O mistério nasce na distância e morre na intimidade."
Valter da Rosa Borges

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Paixão, sexo, amor e casamento...

Qual a fórmula para torná-los eternos?

Tá bom, nada é eterno.
Mas "que seja eterno enquanto dure" - ótimo!
Comentei anteriormente que esses sentimentos são independentes e podem ser vividos concomitantemente - inclusive com pessoas diferentes.
Porque o ser humano gosta de "eternizar" os sentimentos?

"Amor Eterno" - sentimento cinematográfico...

Porque não curtirmos o momento, vivemos intensamente cada minuto, cada segundo, sem nos preocuparmos com o minuto seguinte, com o dia seguinte, com o ano seguinte?

São questões que tento responder e entender para facilitar a prática desse discurso.

Mas uma coisa não posso deixar de comentar...
Certa vez li em algum lugar que deveríamos nos "casar" com alguém que imaginamos conversar e manter uma relação de amizade, cumplicidade, companherismo por muito tempo pois após toda a fase de paixão e sexo só nos restará o amor, cada vez mais refinado, mais polido e mais maduro e mais puro...

Mas, enquanto essa fase não chega, o que devemos fazer?
Atender a todos os nossos desejos?
Complicado fazer isso quando envolve pessoas... ainda mais pessoas que gostamos e até mesmo amamos.

É isso...
Quem disse que a vida não é complicada?
; D

"Se resistimos às nossas paixões, é mais pela fraqueza delas que pela nossa força."

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Amor e tipos de amor

Você acredita em amores diferentes com várias intensidades?

Pois é... ultimamente tenho pensado muito sobre o amor, seus tipos e intensidades. Antes de mais nada é preciso distinguir amor de paixão.
"Uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa" :)
"Paixão é fogo que arde sem se ver", é uma coisa "incontrolável", que nos consome de dentro para fora; que nos excita, nos causa taquicardia, ofegações, tremores...

Li em algum lugar:
"O amor é a sede depois de ter bebido..."

Prefiro dizer:
A paixão é a sede depois de ter bebido...

Acredito que paixão e amor não têm ligação alguma, não têm relação de dependência e podem co-existir. Isso, ao mesmo tempo. Amor é outra coisa. É brando, é calmo, é curtido, é maturado.

Quais são os tipos de amor?
Será que são todos a mesma coisa?
Não. Definitivamente não.

Não se ama um pai da mesma forma que um filho; que por sua vez é diferente que o amor "homem/mulher" ou do amor entre duas pessoas que se relacionam (sexualmente inclusive); que é diferente do amor de um irmão ou de um amigo.

Até hoje nunca senti amor maior do que o que sinto pelo meu filho. Amor de pai é diferente do amor de mãe. Sem dúvida o de mãe é muito maior - observe que o que sinto pelo meu filho é o maior que já pude senti. Acredito que o amor de mãe pode chegar à beira do incondicional...

Antes de ter filho o maior amor que pude sentir foi o por minha mãe - seria então o complexo de Édipo evidenciado? - hehehe

Eu costumava dizer que amor (de relacionamento) é a "evolução" da paixão; é o amadurecimento dela. Uma coisa vai se transformando em outra. É como conservação de energia que estudamos na física.

E como surge o Amor?
Os "amores familiares" - chamo assim os amores paternos, maternos e fraternos - normalmente surgem de forma natural, com a criação, com o convívio.
O "amor de amigo" surge também com o tempo, com a afinidade, com a cumplicidade e esse, fora os "familiares", são os mais estáveis, os mais duradouros, os mais simples, são espontâneos, são "de graça" (escrevo entre aspas pois acho que nada é de graça, tudo é uma questão de troca - mas isso é questão para outra postagem).
O "amor de relacionamento" é aquele proveniente do amadurecimento da paixão. Logo, tem todo um contexto, toda uma história, toda uma evolução e que pode se tornar "vicioso", acomodado, estático, igual, até mesmo doentio.
A acomodação cria uma estabilidade, uma "zona de conforto" que te envolve, te prende, te aprisiona.
Todo seu histórico, todas as lembranças (olhe a "maldita" novamente) são como barreiras invisíveis que te "impedem" de te afastares dele, por mais que nossa razão queira, nossa emoção não deixa (vejam essa postagem de Sam).

"O amor não é feito de trocas de olhares, mas de olharmos juntos na mesma direção"

Já a paixão... inicia essencialmente pela troca de olhares...

E a intensidade?
Amamos todos (dentro das classificações acima) na mesma intensidade?
Claro que não! Apesar de não existir uma escala para medir amor sabemos que podemos amar um amigo mais do que outro, um irmão mais do que outro, um filho mais do que outro (por mais que os pais neguem - hehehe)

Bom, chega de tanto amor. Amor é "bonito" mas amar "cansa". Tem horas que a "obrigação" de amar (será que isso seria realmente amor?) nos esgota - principalmente se não é retribuído.

Temos que ter em mente que é no amor próprio que devemos investir sem medo de errar, pois o fato de amarmos muito outra pessoa não quer dizer que essa pessoa tenha alguma obrigação para conosco. Ninguém depende exclusivamente de um amor (específico) para viver.


segunda-feira, 9 de julho de 2007

Lembranças...

Para que lembramos?

Em uma aula de filosofia o professor citou alguma coisa sobre a lembrança...
Se o homem não tivesse lembrança talvez ele fosse mais feliz, ou melhor, o homem sofre porque lembra. A princípio achei que fosse exagero atrelar felicidade com lembrança. Mas no contexto da aula (sobre o Amor, Eros*, etc) percebo que faz sentido essa relação!

Pensem comigo: se não lembrássemos das paixões passadas, dos beijos lascivos, dos abraços urgentes, do amor intenso, das feridas expostas, das dores vividas sofreríamos tanto?

Vcs acham que os animais sofrem por amor? hahahaha...

Bom, estou só provocando.
É claro que por trás das lembranças tem muitas coisas boas - "relembrar é viver" (também).

Talvez eu esteja escrevendo isso por estar passando por momentos nostálgicos (boas lembranças) que traz saudades...

Este tema me traz também várias questões sobre a paixão, sobre o amor, sobre traição, mas que ficam para outro post!

* Eros, filho de Poro e Pênia (Penúria)

“... amor é sede depois de se ter bem bebido” – Guimarães Rosa
obs: eu trocaria a palavra 'amor' por 'paixão'.