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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Relacionamento Perfeito

Quem nunca esperou o "príncipe encantado"?


Acredito que a busca por "casamentos" sempre foi um objetivo de todos desde que a sociedade começou a se organizar. Até onde tenho conhecimento, era mais cobiçado pelas mulheres e nem tanto pelos homens. Mas o foco da postagem não é fazer uma retrospectiva sobre o "casamento", mas registrar fatos que tenho observado na atualidade, no comportamento e visão das pessoas com relação ao tema.

Tenho percebido um "desespero" exacerbado de muito em busca de um relacionamento estável e duradouro. Todos querem cumprir o "script" de "casar", ter filhos e ser feliz para todo o sempre ("amém").

Então, saem em busca de possíveis namoradas(os) em todos os meios. Seja na balada, na fila do cinema, do banco, do mercado, da farmácia, da loteria e nos diversos aplicativos de "encontros". Todo o papo se desenrola com um único objetivo: encontrar "o par perfeito" - a sua "cara metade", a "outra banda da laranja"... QUE MALUQUICE!

Em alguma outra postagem já registrei que não existe "cara metade", "complemento". Já somos completos por nós mesmos. Besta (para no dizer adjetivo pior) é aquela(e) que não se acha completa(o) ou que espera que outra pessoa venha te "completar". Como não somos perfeitos, consideremos que, de fato, não sejamos completos. Lanço logo uma questão: partindo dessa premissa (da não completude) você acredita que uma outra pessoa (que também não é perfeita/completa) irá te completar perfeitamente? Essa suposta pessoa suprirá todos os seus defeitos? Os seus defeitos serão todos "preenchidos" pelas qualidades dessa pessoa e vice-versa? Que ilusão!!! CLARO QUE NÃO! É mais fácil acertar na loteria do que existir uma pessoa assim e que você a conheça nesta vida.

Neste ponto chegamos aonde eu queria realmente chegar: por um raciocínio lógico podemos concluir que essa pessoa não existe - e se existe (seu complemento perfeito) a probabilidade de você encontrá-la é quase ZERO. E tudo isso leva a um sentimento "ruim": a frustração (tema já postado aqui no blog).

É loucura pensar que existe tal pessoa ("perfeita"). É por isso que os relacionamentos atuais não duram tanto tempo pois já começam assim: "oi, tudo bem? Vamos nos casar?". Tem quem procure relacionamento em baladas. Conhecem, batem meia hora de papo (sob efeito do álcool, provavelmente) e acham que estão de frente do seu "príncipe encantado", que no outro dia acordará e será resgatado(a) da prisão na torre. Bah! Repito: IDIOTA. Outros(as) procuram relacionamento em aplicativos que mostram fotos e perfis "fakes". Se encontram e percebem (quando acontece) que não era realmente quem achavam e que não serve para ser o seu "príncipe encantado" - pois já vão com essa expectativa. Por fim tem aqueles que caem no conto da(o) amiga(o) que tem um(a) amigo(a) "perfeito" para você. E acha que serão felizes para todo o sempre. Gente!!! Relacionamento, repito, não é fim de caminho, não pode ser encarado como objetivo de vida! Relacionamento é conseqüência!

De fato com o advento da tecnologia, da internet, tudo se torna mais fácil e rápido - assim como mais efêmero. Baumann já escreveu sobre modernidade, amor, vida, tudo líquido fazendo referência à sua fluidez e à sua efemeridade.

Bom, não me prolongando muito, serei bem objetivo:

  1. Já somos completos por nós mesmos, ou seja, ninguém completa ninguém. Não existe metade da laranja; cara-metade; alma gêmea, nada disso;
  2. Relacionamento não deve ser encarado como "objetivo de vida" e sim meio de caminho. Relacionamento é consequência e não fim;
  3. Objetivos de vida, acredito, devam ser coisas que só dependem de você. É fazer uma viagem; Concluir um curso; Comprar alguma coisa (apesar d'eu ser contra esse tipo de objetivo - consumir/comprar); Bater uma meta; Se superar em algo; 
  4. Não podemos depositar no outro a responsabilidade de nos fazer feliz;
  5. Não encare a felicidade como uma coisa fixa e duradoura - "para sempre" - NADA é para sempre. Nem a nossa vida!!! (sobre felicidade já escrevi aqui)
  6. Sim! Acredito na possibilidade de relacionamentos poliamorosos (isso é tema para outra postagem) - por enquanto fiquem com esses links: poliamor1 - poliamor2 

A frases dessa postagem não têm exatamente a ver com amor, poliamor ou relacionamentos, mas tem a ver com LIBERDADE (ou algo contrário a ela) pois acredito que no final só quem é livre é que pode amar livremente.

"A traição é a não monogamia numa relação monogâmica" (site: http://tab.uol.com.br/poliamor/)

"A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo." (Fernando Pessoa)

"Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência." (Leon Tolstoi)

"A liberdade e o amor são incompatíveis. Quem ama é sempre escravo." (Madame de Staël)

"Nunca estamos tão mal protegidos contra o sofrimento como quando amamos; nunca estamos tão irremediavelmente infelizes como quando perdemos a pessoa amada ou o seu amor". (Freud)

quinta-feira, 1 de março de 2012

Expectativa

Quem nunca teve uma expectativa frustrada?

Pois bem, depois de mais um ano de "reclusão", volto ao blog. Dessa vez é para falar sobre expectativas.

É importante registrar o que me levou a falar sobre esse tema. Tudo começou com um "momento racional" onde me senti "cobrado" pela pessoa com a qual me relaciono e não via motivo d'eu "ter que" (odeio esse termo) atender ou corresponder a expectativa de outra pessoa.

Calma! Não é bem assim. É claro que no dia-a-dia atendemos expectativas dos outros. Óbvio! Seja como filho, quando você atende um chamado do seu pai; como aluno quando você vai à aula, se senta, anota e se comporta como um aluno; como empregado que realiza com responsabilidade as atividades às quais você foi designado; enfim, só por ser uma pessoa que vive em sociedade, você "tem que" seguir algumas regras e por consequência atender algumas expectativas da sociedade.

Mas não é dessa expectativa que estou falando. 
Estou falando em expectativa em relacionamentos afetivos. Seja pai-filho, amizade, namoro, casamento, etc.

Para mim, o problema não está em atender as expectativas - que é o que acontece normalmente - mas em não atender essas expectativas!

Todos nós criamos, minimamente, expectativa com relação ao outro. Sim. Esperamos uma ligação no final do dia, um parabéns no dia do aniversário, um aperto de mão, abraço ou beijo quando nos encontramos, uma lembrança (seja ela qual for) no dia dos namorados, dia dos pais, avô/avó, etc;

O problema está exatamente nas expectativas frustradas!

Será que estamos preparados para uma decepção/frustração?

Então me pergunto: até que ponto devemos realmente sofrer com isso?
Não estou dizendo que não devemos criar expectativas (isso é quase que impossível, pois se assim acontecer, é porque o relacionamento já não faz mais sentido, concorda?). Mas sim em administrar o sofrimento da expectativa não correspondida.

Essa é a parte difícil. Quando me dei conta do que estava sendo cobrado, fiquei me perguntando: deveria mesmo "ter que" ter feito daquela forma? Mesmo que fosse "fake"? Faz sentido isso? Fazer uma coisa só para agradar a outra pessoa? Até que ponto?

Então, fazendo o exercício do contrário, me perguntei: eu ficaria zangado se a pessoa não fizesse exatamente o que eu esperava? Ou que ela pensasse exatamente como eu pensei? 

Não!!

Eu não posso esperar tanto assim, ou melhor, para ser coerente, não posso sofrer tanto assim se a minha expectativa for frustrada.

Mas, me pergunto novamente: como não sofrer?

No momento que entendo que as pessoas são diferentes, que tem suas "verdades", seu ponto de vista, sua individualidade, interpretação de mundo, não posso exigir que pensem iguais a mim, que vejam o mundo como eu vejo.

Isso certamente ameniza a dor de uma expectativa frustrada. Observem que não deixarei de criar expectativas, mas de não esperar tanto ou de sofrer tanto, caso ela não seja atendida.

Outra coisa que podemos fazer para não sofrer tanto com a expectativa frustrada é criarmos planos "B", "C", etc. Caso o que você espera não aconteça você se resolve com o plano "B" e não sofre tanto assim.

 
"Devemos prometer somente o que podemos entregar e entregar mais do que prometemos."
(Jean Rozwadowski)

"Excesso de expectativa é o caminho mais curto para a frustração."
(Martha Medeiros)

"Um conselho? Abandone a expectativa e convide o inesperado."
(Bruno Guilherme Fonseca)

"A decepção é filha da expectativa."
(Dioclecio)

terça-feira, 8 de julho de 2008

Felicidade Inconsciente

Será que é possível ser feliz sem saber?


Bom, após um bom tempo sem postar, estou de volta.


Neste período de ausência pensei em várias coisas, vários temas e assuntos para o blog. Confesso que me faltou disposição, ânimo para escrever.


Voltando ao tema deste post, registro como foi que cheguei a esse questionamento: uma pessoa muito próxima (e importante para mim) me exclamou: "eu era feliz e não sabia!".

Parei e pensei: será que é possível realmente ser feliz e não saber?

Essa questionamento me remete a uma postagem minha, antiga, na qual registro algumas impressões sobre felicidade.


Após algum tempo de reflexão cheguei a conclusão que pelo fato de felicidade ser um sentimento, sendo bem racional, não acredito ser possível você sentir uma coisa e não ter consciência dela. Estou errado? Se não temos consciência dela é porque não sentimos realmente. O que pode acontecer é confundirmos sentimentos, darmos nomes, classificarmos sentimentos por engano. Por exemplo, é comum confundir ciúme com inveja. Independente da classificação (identificação do que estamos sentindo) o fato é que temos a consciência que sentimos alguma coisa. Algo nos corroe por dentro, nos causa palpitações, tremedeiras, gagueiras, sudoreses, angústias, medo, etc. Temos consciência dessas reações.


Tudo bem, pode acontecer que reagimos ou tomamos atitudes como consequência de um "sentimento inconsciente". Mas, repito, reforço, se reagimos é porque alguma coisa (ação) está provocando a reação - podemos não saber classifica-la (a ação) mas temos consciência do que estamos fazendo e o porquê de estarmos fazendo, não?


Voltando ao caso da felicidade, considerando que felicidade é um estado, pontual, momentâneo (mais uma vez matemáticamente falando, discreto e não contínuo), não acredito que seja possível sentirmos essa felicidade e não termos consciência, na hora, que algo está acontecendo conosco, está nos dando algum tipo de prazer - repito: podemos até não saber classificar essas sensações como felicidade mas que sentimos conscientemente algo "diferente", sentimos.


Bom, fico por aqui.


Esse post foi mais informal ("fora da forma"), menos "técnico" do que os anteriores.


Acho que estou mudando (ainda bem!) e conscientemente, afinal "navegar é preciso"!


"Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente."

Érico Veríssimo

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Felicidade...

Você é feliz?

Desde adolescente que venho pensando sobre a felicidade. O que é felicidade? O que é ser feliz? Se te perguntarem: vc é feliz? Qual será sua resposta? Talvez a maioria das pessoas digam que são. Eu diria que não. Eu não sou feliz. Eu estou feliz.

Felicidade não é um sentimento contínuo.
É discreto. É pontual.
Você é feliz o dia inteiro todos os dias?
Felicidade são momentos de prazer, de relaxamento, de desprendimento, de curtição, de paz, de tranqüilidade.
"Feliz" é aquele que está feliz o tempo todo, todo o tempo.

Você está?

Continuando a minha análise, venho observando com o tempo, com a maturidade, com a experiência, que os momentos de felicidade vão diminuindo com o tempo.

Não?

Vejam bem, pensem comigo: quem passa a maior parte do tempo feliz: uma criança ou um adulto?
É isso... comigo é assim... o tempo vai passando e lembrando do passado penso: ontem eu era mais feliz que hoje, ou melhor, ontem eu tive mais momentos felizes do que hoje.
Lembro da minha adolescência quando somente estudava e pensava - naquela época: não vejo a hora de entrar na faculdade e só estudar o que eu gosto; E pensava também: bom era quando eu estava no jardim de infância... só ficava desenhando, pintando e brincando;
Depois quando entrei na faculdade vi que as coisas não eram tão melhores assim...
Não via a hora de me formar e começar a trabalhar. Ganhar independência. Ganhar minha "liberdade". E pensava também: bom era quando eu estava na escola. Só fazia estudar e me divertir; Depois da formatura vem o trabalho. Maior carga horária, maior a "receita", porém maior a despesa. Parcela do carro, seguro, aluguel, condomínio, luz, telefone, etc. Paro e fico lembrando da época da faculdade: época boa foi aquela! Estudava, tinha férias duas vezes ao ano, a grana que rendia no estágio não era muita mas dava para me divertir.
Depois disso vem família, prestação da casa própria, escola dos filhos, contas, etc....
E assim por diante.
Hoje penso (planejo) na minha aposentadoria. Será que quando eu estver aposentado não irei pensar da mesma forma? "Ah... época boa era aquela em que eu trabalhava, me sentia útil, produtivo, e ainda tinha pique para brincar com os meu filhos..."

Resumindo: o que percebo é que a cada dia que passa os momentos de felicidade vão "rareando" ou são menos significativos ao pondo d'eu nem notá-los.
Não quero dizer que sou infeliz, ou melhor, não estou infeliz a maior parte do tempo. Mas sempre acho que "ontem" eu tive mais momentos felizes que hoje.
E amanhã?
Será que esses momentos serão mais raros ainda?
É bom reforçar a idéia de que pelo fato d'eu não estar feliz em um determinado momento não quer dizer que estou infeliz. Certo?

Li um texto de Charle Chaplin que casa certinho com o que escrevi:

"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina.
Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente.
Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo.
Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar.
Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria.
Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.
Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando.
E termina tudo com um ótimo orgasmo!
Não seria perfeito?"

Não é interessante? Ou será que estou sendo pessimista?

"As crianças são quase sempre felizes, porque não pensam na felicidade. Os velhos são muitas vezes infelizes, porque pensam demasiadamente nela."
Paolo Mantegazza

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Solidão...

O que vem a ser essa senhora?

Ontem, por um momento, passei um "sufoco". Fui para faculdade mas as aulas estão suspensas por causa da greve dos servidores. Era final de tarde, ou como outros preferem, inclusive eu, era início da noite (gosto mais da noite do que do dia). De imediato fiquei com aquela sensação boa de liberdade pois não teria aula e nem voltaria para o trabalho. Mas, logo em seguida, pensei: e agora o que vou fazer neste tempo livre (em torno de 2h até o próximo compromisso)?
São tantas coisas que fico planejando para o dia em que tiver uma folga, para o dia em que eu tiver um tempo meu, só meu, inteirinho meu, que fiquei perdido.
Não soube o que fazer!
Fiquei atordoado com a tão cobiçada "liberdade" que logo veio essa senhora: a solidão.
Tum!
Bateu pesada dentro de mim e foi subindo, me consumindo.
Veio a fraqueza e o desânimo se espalhando por todo meu corpo até atingir minha mente.
De imediato me perguntei: porque fiquei assim, se isso era tudo o que eu precisava? Era tudo o que eu queria?
O que está acontecendo???
- Ânimo rapaz!
Falei para mim mesmo, mas sem efeito.
Voltei para o carro e fiquei sentado, estatelado, olhando para o nada, duro, sem piscar, atônito, sem conseguir mexer um músculo, como se estivesse vendo a coisa mais espantosa que alguém poderia ver.
De repente veio a falta de ar; enchi o pulmão como se estivesse acordando de um desmaio ou como se estivesse saindo do fundo do mar.
Acordei.
Saí do transe.
E tomei consciência da solidão.
De imediato mandei mensagens para meia dúzia de pessoas, para ser mais exato para um quarto de dúzia de pessoas (rsrsrsrs) , na esperança de retornarem e, mesmo sem saber, me confortassem ao me fazerem perceber que não estava só.
Não deu certo. Não obtive retorno.
Paciência.
A vida é assim.
Não devemos criar tantas expectativas com as coisas principalmente com as pessoas.
Foi nesse momento que senti o peso dela aumentando dentro de mim.
E veio uma onda de infelicidade... (mas esse é um tema para outra postagem ;)

Lembrei de um texto que li sobre a solidão:
.
Solidão
(Fátima Irene Pinto)

Solidão não é a falta de gente para conversar,
namorar, passear ou fazer sexo.
Isso é carência.

Solidão não é o sentimento que experimentamos
pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar.
Isso é saudade.

Solidão não é o retiro voluntário que a gente
se impõe às vezes para realinhar os pensamentos.
Isso é equilíbrio.

Tampouco é o claustro involuntário que o destino nos
impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida.
Isso é um princípio da natureza.

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado.
Isso é circunstância.

Solidão é muito mais que tudo isso.

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos
e procuramos em vão pela nossa Alma!
.

Bom, carência, saudade, equilíbrio, seja lá o que for, a solidão, no sentido amplo da palavra, dói, marca, nos corrói - apesar de também nos construir e nos refinar.

Apesar de tudo, acredito que a solidão não só é boa de vez em quando, mas é necessária. É o momento em que podemos refletir sobre as "coisas da vida" e tentar entender o mundo que está à nossa volta, a dinâmica da sociedade e o seu papel (o do pensador) dentro dela.

"As pessoas fogem da solidão quando têm medo dos próprios pensamentos".
(Érico Veríssimo)

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Ainda com as lembranças...

Lembrar: porque?

Volto a escrever sobre as lembranças. Por mais que saibamos que as lembranças guardam nossa história, nossas alegrias, momentos felizes, cheiros, gostos, imagens, sons, etc, é inevitável lembrar (olhe ela aí de novo!) que elas também trazem dor e sofrimento.

Tem "filósofo" que diz que devemos lembrar bem das coisas ruins (ou das boas que nos causam dor) para 'gastá-las' e por mais que recuperar esses fatos da memória nos cause dor e sofrimento, esta ação cicatrizará a ferida mais rápido e a deixará mais 'resistente' até o ponto de não nos incomodar mais. Será???

Pensando bem, pergunto: o que incomoda mais: a nossa lembrança ou a lembrança dos outros (sobre nossas mais terríveis lembranças)? Tem fatos que se somente nós lembrássemos seria 99% do problema resolvido e o 1% ficaria por conta da consciência.

Bom, sendo bem racional, acredito que a lembrança em si é mais um 'bem' do que um 'mal' para a humanidade. Sem dúvida! Eu é que queria ter o poder de 'apagar' certas lembranças ou guardá-las tão bem guardadas que nem lembrasse aonde as guardei! (é quase como 'fechar a gaveta com a chave dentro' hehehe); Ou ainda ter o sangue frio de ficar me lembrando de todas as coisas que me causam dor de forma que eu me acostume e termine por esquecê-las.

Como não tenho como 'desativar' a f unção 'lembrar', preciso aprender a 'dissolver' a lembrança de forma que a mais funesta vá se abrandando até que fique transparente e eu nem a perceba mais, mesmo sabendo que ela está ali.

Ufa! Acho que é isso... espero não me lembrar de nada mais sobre as 'lembranças' - hehehe