domingo, 17 de janeiro de 2016

Sobre relacionamentos

O que sustenta uma relação?


Fazendo uma introdução ao tema, do porquê escrevo sobre isso, quero registrar que as postagens feitas nunca foram "do nada". Sempre tiveram alguma ligação com o que estou sentindo, passando, vivendo no momento. Ou seja, as postagens são frutos de sentimentos verdadeiros e não são empíricas, não são suposições, ensaios ou um mero "pensar sobre".

Uma vez dito, vou falar sobre relacionamentos, especificamente relacionamentos amorosos. Os demais relacionamentos (como já foi falado anteriormente aqui) ficam para outra postagem.

Como um bom geminiano, como um bom "matemático" ou um bom ser "racional", venho tentando encontrar, identificar padrões, modelos, que nem Descartes falava em estabelecer modelos matemáticos para todos os eventos da natureza; Eu não chego a tanto; a querer estabelecer modelos ou padrões universais, mesmo porquê para quem não acredita em uma "verdade universal", uma verdade única (já postei sobre isso aqui), isso seria praticamente "impossível" (mas ainda assim é questionável). A proposta não é essa. Mas, ainda assim, com essa "veia matemática", arrisco a dizer que, na tentativa de explicar ou identificar o que sustenta uma relação (amorosa - esse é o foco da postagem), não importando (quero deixar claro) quais relações sejam, de homem para homem, mulher para mulher ou mulher para homem, ainda assim são relações, não é o sexo, a paixão ou o amor que a sustenta.

Vamos começar pela paixão. Essa é a forma menos provável de ser um sentimento que sustente uma relação, exatamente pela sua efemeridade. Mesmo sendo intensa, forte, urgente, arrebatadora, ainda assim, é breve. É curta. Tem os dias contados. Aparentemente, dá a impressão, aos apaixonados, que aquilo vai durar "para sempre"! Sim! É verdade! Nos dá essa impressão (como disse Vinícius de Moraes, "que seja eterna enquanto dure"). Mas como nada é eterno, como já comentado aqui, nem a nossa vida é eterna, imagine a paixão! Pode durar um dia, uma semana, um mês, um ano, uma década, mas ainda assim terá um fim (nem que seja pela morte do ser amado - não existe Matusalém); Mas não vamos discutir essa questão. Fora a paixão, que ilusoriamente nos faz acreditar em uma relação "eterna", temos ainda o sexo e o amor.

O sexo... bem... esse é mais "polêmico" que a paixão exatamente por ser (acredito e classifico assim) um sentimento visceral, uma necessidade fisiológica do ser (animal) humano. Então, pensando dessa forma, dispensa maiores comentários sobre o sexo manter, sustentar uma relação. É claro, não posso deixar de registrar, que tem muitas relações que se baseiam nisso. Em que o sexo é maravilhoso, estupendo, sem igual, inenarrável. Sim! Existe! Claro! Acredito que para pessoas que são altamente sexuais (mais animais que seres sociais), sim, sustenta (por um bom tempo) a relação. Mas ainda assim, acredito que é, de certa forma, efêmero, similarmente à paixão. Ainda mais na sociedade em que vivemos que cultua relações monogâmicas (farei outra postagem sobre relações monogâmicas, poligâmicas, etc... por enquanto deixo a seguinte frase: "a traição é a não monogamia numa relação monogâmica" - veja aqui).

Vamos ao amor. Ah! O Amor! Muitos acreditam que o amor é supremo, é superior a tudo, transcende, ultrapassa toda a nossa racionalidade. É assim por um simples motivo: foi construído nas nossas mentes dessa forma! O "amor", assim como vários outros princípios e valores, é construído, é uma convenção social em que nós somos condicionados, educados, até adestrados, a enaltecer, como a mais pura verdade, como uma coisa "impossível" de se alcançar, como o mais puro dos sentimentos. Que seja! Não quero aqui, agora, debater ou discutir sobre o amor (além de outras postagens, tenho uma visão mais política/social sobre o amor); O fato, que estou considerando nesta postagem, é o "amor" comum, "amor sexual" (só para deixar claro, não é o amor maternal/paternal, fraternal, de amizade, ou outro qualquer). Estou falando de amor entre pessoas (sem o vínculo parental - ou até que exista, já que foi criada a palavra "incesto" para isso; enfim, não é o foco desta postagem). Esse amor ao qual estou me referindo, como postado anteriormente aqui, é o amor construído, aos poucos, lentamente, "tijolo por tijolo". 

Sobre esse amor construído, edificado, podemos ver diversos exemplos dessas construções. Verdadeiros "castelos", construídos "tijolo por tijolo", durante anos, de forma perfeita! Mas, vazios. Grandes construções, mas ocos, sem móveis, sem conteúdo. Os construtores se orgulham em expor seu feito para a sociedade: olhem que construção linda, sólida, inabalável... foram 50 anos de dedicação, esforço, luta, blá blá blá... mas, ainda assim vazio, sem conteúdo, sem essência. De que adianta viver de aparências, de estética, de "modelos"? Desfaço, derrubo, desconstruo esse tipo de amor falso, "fake". Mas, infelizmente, as pessoas que fazem essa grande edificação, olham para trás e não têm coragem de largar, abrir mão, derrubar, demolir o que foi construído, pois gastaram tempo, força, esforço, sentimentos, dedicação e vários outros sentimentos. Por isso sustentam, mantêm, todo o castelo. Não é fácil. Não estou dizendo que é fácil. Mas se quisermos ser verdadeiros conosco e com o outro, podemos, devemos, derrubar essa construção e nos darmos a chance de construirmos outro prédio, casa, casebre que seja, mas de forma consistente e preenchê-lo com sentimentos, vivências, com vida. Mas ainda assim, não é o foco da postagem. Quero falar sobre, então, o que sustenta, verdadeiramente, uma relação?

É simples. Existem outros sentimentos que, acredito, sejam mais significativos para uma relação. Amizade, afinidade, admiração pelo outro, companheirismo, lealdade, cumplicidade, compreensão, paciência, congruência na forma de viver, nos princípios e valores; nos quereres; na forma de encarar as dificuldades; o saber ceder, abrir mão de coisas, de momentos, tudo isso compõe a "fórmula" da sustentação de um relacionamento (apesar d'eu ser bem egoísta quanto a isso - cabe outra postagem a respeito). Ou seja, acredito que pode existir relação sem paixão, sem amor e sem sexo. Pode-se sim estabelecer relação sem esses itens. Acredito! Podemos, sim, ver felicidade entre as pessoas que se relacionam assim, sem esses sentimentos - até dizem que é amor. Sim. Mas não o amor carnal, visceral. É um outro tipo de amor - que seja! Contanto que um não seja o "objetivo" do outro, como um objeto de conquista; porquê de assim for, uma vez conquistado perde-se o sentido da busca. 

O que acredito sobre o que é amor (da forma que penso) é tudo isso que falei. Pode conter todos esses sentimento citados acima. Mas não é só isso. É transcendente. "Sobrenatural". Não se explica. Existe e pronto. E para polemizar, não perdendo meu jeito de ser, eu dou o nome que eu quiser ao o que eu sinto. É meu sentimento e pronto. E isso basta para mim (demonstrando meu egoísmo). 

Enfim, resumindo, sexo, amor e paixão não sustentam relacionamento. Relacionamento se sustenta por  afinidade, por uma empatia forte, por uma sintonia de quereres e interesses.

"Uma relação nem sempre termina pq não é feliz. Às vezes termina para preservar a felicidade da memória." (Fabrício Carpinejar)

"As pessoas são responsáveis e inocentes em relação ao que acontece com elas, sendo autoras de boa parte de suas escolhas e omissões." (Lya Luft)

"Seja qual for o relacionamento que você atraiu para dentro de sua vida, numa determinada época, ele foi aquilo de que você precisava naquele momento" (Deepak Chopra)

"... o único encanto do casamento está na vida de decepção indispensável a ambas as partes." (Oscar Wilde em "O Retrado de Dorian Gray")

"A vida conjugal é simplesmente um hábito, um mau hábito. Mas lastima-se até a perda dos maus hábitos; talvez seja mesmo o que mais se lastime; os hábitos são uma parte essencial da personalidade." (Oscar Wilde em "O Retrado de Dorian Gray")

"Um homem pode ser feliz com qualquer mulher durante o tempo que não a ama..." (Oscar Wilde em "O Retrado de Dorian Gray")

"Quando uma mulher torna a casar-se, é porque detestava o primeiro esposo. Quando o mesmo se dá com o homem, é que ele adorava a primeira mulher. Estas procuram a felicidade, os homens arriscam a sua." (Oscar Wilde em "O Retrado de Dorian Gray")


terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Relacionamento Perfeito

Quem nunca esperou o "príncipe encantado"?


Acredito que a busca por "casamentos" sempre foi um objetivo de todos desde que a sociedade começou a se organizar. Até onde tenho conhecimento, era mais cobiçado pelas mulheres e nem tanto pelos homens. Mas o foco da postagem não é fazer uma retrospectiva sobre o "casamento", mas registrar fatos que tenho observado na atualidade, no comportamento e visão das pessoas com relação ao tema.

Tenho percebido um "desespero" exacerbado de muito em busca de um relacionamento estável e duradouro. Todos querem cumprir o "script" de "casar", ter filhos e ser feliz para todo o sempre ("amém").

Então, saem em busca de possíveis namoradas(os) em todos os meios. Seja na balada, na fila do cinema, do banco, do mercado, da farmácia, da loteria e nos diversos aplicativos de "encontros". Todo o papo se desenrola com um único objetivo: encontrar "o par perfeito" - a sua "cara metade", a "outra banda da laranja"... QUE MALUQUICE!

Em alguma outra postagem já registrei que não existe "cara metade", "complemento". Já somos completos por nós mesmos. Besta (para no dizer adjetivo pior) é aquela(e) que não se acha completa(o) ou que espera que outra pessoa venha te "completar". Como não somos perfeitos, consideremos que, de fato, não sejamos completos. Lanço logo uma questão: partindo dessa premissa (da não completude) você acredita que uma outra pessoa (que também não é perfeita/completa) irá te completar perfeitamente? Essa suposta pessoa suprirá todos os seus defeitos? Os seus defeitos serão todos "preenchidos" pelas qualidades dessa pessoa e vice-versa? Que ilusão!!! CLARO QUE NÃO! É mais fácil acertar na loteria do que existir uma pessoa assim e que você a conheça nesta vida.

Neste ponto chegamos aonde eu queria realmente chegar: por um raciocínio lógico podemos concluir que essa pessoa não existe - e se existe (seu complemento perfeito) a probabilidade de você encontrá-la é quase ZERO. E tudo isso leva a um sentimento "ruim": a frustração (tema já postado aqui no blog).

É loucura pensar que existe tal pessoa ("perfeita"). É por isso que os relacionamentos atuais não duram tanto tempo pois já começam assim: "oi, tudo bem? Vamos nos casar?". Tem quem procure relacionamento em baladas. Conhecem, batem meia hora de papo (sob efeito do álcool, provavelmente) e acham que estão de frente do seu "príncipe encantado", que no outro dia acordará e será resgatado(a) da prisão na torre. Bah! Repito: IDIOTA. Outros(as) procuram relacionamento em aplicativos que mostram fotos e perfis "fakes". Se encontram e percebem (quando acontece) que não era realmente quem achavam e que não serve para ser o seu "príncipe encantado" - pois já vão com essa expectativa. Por fim tem aqueles que caem no conto da(o) amiga(o) que tem um(a) amigo(a) "perfeito" para você. E acha que serão felizes para todo o sempre. Gente!!! Relacionamento, repito, não é fim de caminho, não pode ser encarado como objetivo de vida! Relacionamento é conseqüência!

De fato com o advento da tecnologia, da internet, tudo se torna mais fácil e rápido - assim como mais efêmero. Baumann já escreveu sobre modernidade, amor, vida, tudo líquido fazendo referência à sua fluidez e à sua efemeridade.

Bom, não me prolongando muito, serei bem objetivo:

  1. Já somos completos por nós mesmos, ou seja, ninguém completa ninguém. Não existe metade da laranja; cara-metade; alma gêmea, nada disso;
  2. Relacionamento não deve ser encarado como "objetivo de vida" e sim meio de caminho. Relacionamento é consequência e não fim;
  3. Objetivos de vida, acredito, devam ser coisas que só dependem de você. É fazer uma viagem; Concluir um curso; Comprar alguma coisa (apesar d'eu ser contra esse tipo de objetivo - consumir/comprar); Bater uma meta; Se superar em algo; 
  4. Não podemos depositar no outro a responsabilidade de nos fazer feliz;
  5. Não encare a felicidade como uma coisa fixa e duradoura - "para sempre" - NADA é para sempre. Nem a nossa vida!!! (sobre felicidade já escrevi aqui)
  6. Sim! Acredito na possibilidade de relacionamentos poliamorosos (isso é tema para outra postagem) - por enquanto fiquem com esses links: poliamor1 - poliamor2 

A frases dessa postagem não têm exatamente a ver com amor, poliamor ou relacionamentos, mas tem a ver com LIBERDADE (ou algo contrário a ela) pois acredito que no final só quem é livre é que pode amar livremente.

"A traição é a não monogamia numa relação monogâmica" (site: http://tab.uol.com.br/poliamor/)

"A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo." (Fernando Pessoa)

"Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência." (Leon Tolstoi)

"A liberdade e o amor são incompatíveis. Quem ama é sempre escravo." (Madame de Staël)

"Nunca estamos tão mal protegidos contra o sofrimento como quando amamos; nunca estamos tão irremediavelmente infelizes como quando perdemos a pessoa amada ou o seu amor". (Freud)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Voltando aos poucos...

O que mudou?

Depois de um bom tempo sem postar, me deu uma vontade um tanto quanto estranha de fazer uma.

O principal motivo que me levou a fazer essa postagem foi uma espécie de "provocação" que me fizeram me perguntando sobre alguns "conceitos" sobre amor, paixão, relacionamento, casamento, etc.

Como eu sabia que já havia postado sobre esses temas, voltei ao blog e li alguns textos que produzi no passado. Tem textos de mais de quatro anos. O mais interessante é que para mim continuam atual, ou seja, continuo pensando da mesma forma! Pelo menos os conceitos, os pricípios são os mesmos.

O que percebo que mudou - para melhor, ao meu ver - foi a "ampliação" destes conceitos. Percebo que penso diferente, partindo-se dos mesmos conceitos escritos no passado.

Confesso que o processo de mudança - repito: não das ideias, mas da prática - não foi tão rápido assim. Hoje percebo que foi um processo lento e de certa forma "doloroso" (sentimentalmente falando). Principalmente com referente aos relacionamentos "amorosos". Percebi que cheguei a um ponto mais próximo das "teorias" que publiquei no passado, ou seja, a prática está se aproximando da teoria!

Claro que nesses últimos quatro anos muita coisa aconteceu, muita coisa mudou. Não só fisicamente mas psicologicamente. Alguns fatos (quem sabe um dia eu poste sobre isso aqui?) me levaram a um amadurecimento meio que abrupto. Me levou a pensar, repensar a vida de forma extraordinária. Me fez ver o quanto a vida é uma coisa simples e que nós - seres sociais - que complicamos cada vez mais ela.

Bom, por enquanto é isso.

Tentarei voltar a postar mais frequentemente.

Os temas e o formato devem mudar um pouco.

Trarei questões mais amplas e reflexões que tem me acontecido com mais frequência - sobre vida, sociedade, estado, política, poderes, etc - algo mais "acadêmico" (em outra postagem explicarei o motivo disso)


"A mudança é a lei da vida. Aqueles que olham apenas para o passado ou para o presente serão esquecidos no futuro."(John F. Kennedy)

"Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço."(Immanuel Kant)

"O progresso é impossível sem mudança; e aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada."(George Bernard Shaw)

"Somente os extremamente sábios e os extremamente estúpidos é que não mudam."(Confúcio)

"Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa; e, porque passa, morre. Tudo quanto vive perpetuamente se torna outra coisa, constantemente se nega, se furta à vida."(Fernando Pessoa)

quinta-feira, 1 de março de 2012

Expectativa

Quem nunca teve uma expectativa frustrada?

Pois bem, depois de mais um ano de "reclusão", volto ao blog. Dessa vez é para falar sobre expectativas.

É importante registrar o que me levou a falar sobre esse tema. Tudo começou com um "momento racional" onde me senti "cobrado" pela pessoa com a qual me relaciono e não via motivo d'eu "ter que" (odeio esse termo) atender ou corresponder a expectativa de outra pessoa.

Calma! Não é bem assim. É claro que no dia-a-dia atendemos expectativas dos outros. Óbvio! Seja como filho, quando você atende um chamado do seu pai; como aluno quando você vai à aula, se senta, anota e se comporta como um aluno; como empregado que realiza com responsabilidade as atividades às quais você foi designado; enfim, só por ser uma pessoa que vive em sociedade, você "tem que" seguir algumas regras e por consequência atender algumas expectativas da sociedade.

Mas não é dessa expectativa que estou falando. 
Estou falando em expectativa em relacionamentos afetivos. Seja pai-filho, amizade, namoro, casamento, etc.

Para mim, o problema não está em atender as expectativas - que é o que acontece normalmente - mas em não atender essas expectativas!

Todos nós criamos, minimamente, expectativa com relação ao outro. Sim. Esperamos uma ligação no final do dia, um parabéns no dia do aniversário, um aperto de mão, abraço ou beijo quando nos encontramos, uma lembrança (seja ela qual for) no dia dos namorados, dia dos pais, avô/avó, etc;

O problema está exatamente nas expectativas frustradas!

Será que estamos preparados para uma decepção/frustração?

Então me pergunto: até que ponto devemos realmente sofrer com isso?
Não estou dizendo que não devemos criar expectativas (isso é quase que impossível, pois se assim acontecer, é porque o relacionamento já não faz mais sentido, concorda?). Mas sim em administrar o sofrimento da expectativa não correspondida.

Essa é a parte difícil. Quando me dei conta do que estava sendo cobrado, fiquei me perguntando: deveria mesmo "ter que" ter feito daquela forma? Mesmo que fosse "fake"? Faz sentido isso? Fazer uma coisa só para agradar a outra pessoa? Até que ponto?

Então, fazendo o exercício do contrário, me perguntei: eu ficaria zangado se a pessoa não fizesse exatamente o que eu esperava? Ou que ela pensasse exatamente como eu pensei? 

Não!!

Eu não posso esperar tanto assim, ou melhor, para ser coerente, não posso sofrer tanto assim se a minha expectativa for frustrada.

Mas, me pergunto novamente: como não sofrer?

No momento que entendo que as pessoas são diferentes, que tem suas "verdades", seu ponto de vista, sua individualidade, interpretação de mundo, não posso exigir que pensem iguais a mim, que vejam o mundo como eu vejo.

Isso certamente ameniza a dor de uma expectativa frustrada. Observem que não deixarei de criar expectativas, mas de não esperar tanto ou de sofrer tanto, caso ela não seja atendida.

Outra coisa que podemos fazer para não sofrer tanto com a expectativa frustrada é criarmos planos "B", "C", etc. Caso o que você espera não aconteça você se resolve com o plano "B" e não sofre tanto assim.

 
"Devemos prometer somente o que podemos entregar e entregar mais do que prometemos."
(Jean Rozwadowski)

"Excesso de expectativa é o caminho mais curto para a frustração."
(Martha Medeiros)

"Um conselho? Abandone a expectativa e convide o inesperado."
(Bruno Guilherme Fonseca)

"A decepção é filha da expectativa."
(Dioclecio)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Paixão

Você viveria bem sem estar apaixonado?
Bom, antes de mais nada é preciso registrar: não estou apaixonado! Esse é o tema desta postagem. Faz tempo que venho querendo escrever sobre a "não paixão", ou melhor, sobre a vida sem paixão.

Quando me veio a idéia de escrever sobre esse tema, eu estava em uma fase "apaixonado". Mas agora não. O que é uma coisa totalmente nova para mim pois, sempre, sempre mesmo, eu estive apaixonado por alguém (ou "alguéns" ;). Não tenho registro de algum momento em minha vida em que eu não estivesse apaixonado e não acreditava que alguém poderia não estar apaixonado. Eu achava uma coisa impossível! Até que nesses últimos (+/-) seis meses eu me vi assim: "desapaixonado".

É uma sensação de vazio; angustiante o fato de não sentir o coração bater mais forte ao pensar em alguém; desanimador ver as horas passarem e não ter ninguém para ligar (com aquela vontade incrível de falar); frustrante não ficar nervoso, ansioso à espera de alguém; decepcionante dormir e acordar sem ter em quem pensar; enfim, é péssimo viver sem estar apaixonado!

Nunca acreditei que passaria por essa situação. Então, quando percebi que estava passando, pensei: preciso me apaixonar. Para mim, a paixão é o motor da vida; é o que faz você querer viver dia após dia; é o que te mantém jovem, alegre, feliz, de bem com a vida. É o que dá cor ao cenário.

Falando de paixão de forma ampla, é muito importante estarmos apaixonados por tudo o que fazemos. Estar apaixonado pelo trabalho, acordar na segunda-feira com aquela vontade de trabalhar, de "dar conta" do que se tem para fazer no trabalho; não aguentar de esperar a hora de ir para a faculdade, assistir aula, viver o ambiente acadêmico; não ver a hora de encontrar os amigos para conversar, trocar ideias, dar risada; esperar ansiosamente o final de semana para ir à praia, ficar só, assistir um filme, almoçar em um lugar legal... enfim, estar apaixonado pela vida.

Falando de paixão da forma mais restrita, paixão entre pessoas, atração física, troca de olhares, respiração ofegante, coração a mil, tremores, rubores, a ansiedade, todos são sentimentos agradáveis, revigorantes, rejuvenescedores. Na minha verdade (gosto sempre de falar da verdade desta forma para deixar claro que não sou o "dono da verdade" - hehehe), acho que a paixão é tudo! Amor? Isso fica para depois... como já escrevi antes, amor é a consequência natural de se viver uma paixão por muito tempo...

Amor já tenho o suficiente. Tenho amor de amigos, parentes e filho. O amor (como já escrevi antes) é morno, brando, estável. Não é isso que quero por agora. Já a paixão, não! É como diz a música de Rita Lee "Amor e Sexo", só que neste caso troco o "sexo" por paixão... acho que se encaixaria bem na letra também.

Uma coisa importante que devo registrar: toda a paixão é boa quando é correspondida. Não vale aquela paixão "platônica", inalcançável, utópica. Essa não é a verdadeira paixão à qual me refiro. Essa é uma paixão unilateral. Digo isso porque nesses últimos seis meses me apaixonei sim... por uma ou duas pessoas (no máximo). Mas não fui correspondido. Então, essas não contam. Quero viver uma intensa paixão correspondida, sem me preocupar se ela vai durar um ano, um mês, uma semana ou um dia. Mas quero viver ela intensamente o tempo que dure. "Que seja eterna enquanto dure", como já disse Vinícius de Moraes.

Podem dizer: a paixão eh um sentimento efêmero. Passa. Acaba (ou diminui com o tempo). Sim! Concordo. Sei disso. Mas aí é que está o "pulo do gato": neste momento trocamos de paixão! Qdo a paixão diminui e você continua com a pessoa, provavelmente a paixão está se transformando em amor. Se você estiver afim de viver esse novo "amor", tudo bem, continue. Se não... arranje outra paixão! É, podem de chamar de insensível, sacana e outros palavrões mais pesados. Mas é isso. É isso que quero viver. É disso que estou em busca. Mas uma coisa deixo claro: eu aviso antes à pessoa com que estou iniciando esta "paixão" a minha posição e no que eu acredito. Se ela topa continuar é por conta e risco dela (é fácil falar... é difícil acontecer - é difícil encontrar alguém que pense como eu penso, que sinta como eu sinto, que queira o que eu quero - mas vou tentando!)

Quero encontrar alguém para cometer "loucuras" comigo. Que ma faça propostas indecentes, que me surpreenda! Que me mostre coisas novas, situações novas, lugares novos, músicas novas, texturas, sabores, cheiros novos. Quero me apaixonar por tudo isso. Pelo o que ela fala, pensa, pelo olhar, voz e toque dela. E mesmo que dure pouco ou por acaso do destino ou por ela querer "pular do barco", tudo bem! Eu ainda dou colete salva-vidas e deixo ela seguir o caminho dela, mesmo que me deixe um sofrimento intenso; Pois se chego a sentir essa dor intensa é porque tive momentos de grandes e fortes emoções, ou seja, valeu a pena!

Alguns me chamam de masoquista, mas é isso: quero sofrer por uma grande (e vivida) paixão.

"Paixão é uma infinidade de ilusões que serve de analgésico para a alma. As paixões são como ventanias que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveriam viagens nem aventuras nem novas descobertas." (Voltaire)

"A única diferença entre um capricho e uma paixão eterna é que o capricho dura um pouco mais...." (Oscar Wilde)

"Quem vai dizer ao coração que a paixão não é loucura, mesmo que pareça insano acreditar..."(Oswaldo Montenegro)

"A paixão destrói mais preconceitos do que a filosofia." (Denis Diderot)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Pessoas do passado

Porque será que damos valor depois que perdemos?

É isso... essa vai ser uma postagem muito rápida...

Estava escutando "Canção de amor" (Bebel Gilberto) e me deu vontade de registrar isso (que vem logo abaixo). Não pelo título da música - não tem nada a ver. Mas por ser Bebel Gilberto.

Me lembro que fui "apresentado" à Bebel por um amigo, Renato.

Renato, uma pessoa muito legal, simples, honesta, trabalhadora... enfim... uma pessoa espetacular.

Saímos várias vezes para tomar um café, uma sopa e conversar sobre coisas da vida; muitas vezes com um bom vinho e sempre escutando Bebel Gilberto.

Pena que não poderei mais fazer isso. O sentimento que fica é que não "aproveitei" o suficiente a presença de Renato.

Fica esse post em homenagem a meu amigo Renato.

A amizade é um meio de nos isolarmos da humanidade cultivando algumas pessoas.
(Carlos Drummond de Andrade)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Lembranças do passado

Será que é sinal de velhice?

Bom, já faço logo um alerta: não esperem nesta postagem aquela "velha" relação de coisas que sinalizam que nós estamos ficando velhos, tipo Disco de Vinil, Fita Cassete, telefone de discar (com disco), etc.

Não é disso que quero falar!

De um tempo para cá tem me ocorrido, assim, quase que do nada, lembranças do meu passado; não passado recente, mas passado bem distante; lembranças de detalhes que normalmente eu não me lembraria assim, do nada e que não foram tão marcantes ou relevantes como por exemplo lembrar de quando quebrei a perna e passei 6 meses com ela engessada. Falo de lembranças de pessoas, frases, coisas que fiz, comidas que experimentei, sons que ouvi, imagens que capturei e ficaram registradas, principalmente de quando eu era criança.

Será que esse é um verdadeiro sinal do envelhecimento ou que estou mais próximo da morte? Sim. Por que não falar da morte? A morte é a única certeza que temos na vida. Poderia falar "zilhões" de coisas sobre a morte e os "procedimentos" e/ou rituais fúnebre da nossa sociedade, mas isso fica para outra postagem.

Voltando, sempre ouvir dizer que quando estamos na "beira da morte" ou bem no final da vida, lembranças da nossa existência são passadas que nem um filme na nossa mente. Não sei ao certo se é na ordem cronológica crescente ou decrescente) - será que é verdade? Bom, aí é que mora o "problema". Me pergunto: será que pelo fato d'eu estar tendo essas "estranhas" lembranças não é um sinal que estou mais perto do fim da vida e, agora, como no formato de "trailler" , essas lembranças me vêm como prenúncio da morte?

Registro que não tenho medo de morrer. Não mesmo. Meu único ressentimento é não poder preparar (mais) meu filhote para a vida. Sei que ele vai sobreviver e que terá pessoas boas, para passar bons valores e princípios, além da excelente mãe que ele tem, caso eu "bata as botas" - mais uma vez, não é sobre isso que quero falar.

Retornando, outra preocupação que aflige é a sensação de que ao lembrar desses detalhes do passado eu nunca mais me lembre deles; é como se "gastasse"; como se tivesse apenas uma oportunidade de lembrar (e viver a boa ou má lembrança) e pronto: acabou, gastou, não lembrarei mais. Digo isso porque hoje não consigo lembrar de quais lembranças "estranhas" tive ultimamente - será que é porque "gastei" ou porque estou ficando velho mesmo e não me consigo mais me lembrar do passado recente? (vixe! que confusão, né? é uma "meta-lembrança" - lembrança da lembrança - hehehehe)

Isso me leva a um fato importante, sempre me disseram que o Mal de Alzheimer é genético e minha avó materna morreu faz 2 anos, pelo menos (se me lembro bem, rsrsrsrs), desta doença degenerativa. Fico na paranóia: será que estou com Mal de Alzheimer? Ou com o início dele? Já estou correndo para marcar consulta com um geriatra e/ou um psiquiatra!

Tenho uma tia, irmã de minha mãe que já está dando sinais de esquecimento; e olhe que ela é mais nova que minha mãe!

Lembro como o Alzheimer chegou em minha avó aos poucos. Eram esquecimentos leves, inicialmente, até ir se complicando, como esquecer o nome dos filhos, seu próprio nome, aonde estava, não saber o que é tomar banho, como se limpar - e porque se limpar - entre outras coisas. Apesar de todo esse esquecimento, ela se lembrava, assim do nada, de coisas que aconteceram com ela quando era pequena! Falava muito do pai dela na fazenda, das coisas que ele dizia e/ou fazia. Lembrava dos irmãos, de quando veio para Salvador para estudar, lembrava do nome das professoras, dos alunos dela, de detalhes do passado. Minha avó morreu com quase noventa anos. Percebi que o esquecimento dela começou com os fatos recentes. Ela se esquecia, por exemplo, que acendeu a boca do fogão ao retirar uma panela do fogo e deixava a boca acesa! (como consegui lembra disso? hehehehe)

É este ponto que me preocupa. Tenho me esquecido frequentemente de coisas recentes. Chego ao ponto de me levantar para fazer alguma coisa e no meio do caminho me esquecer o que eu ia fazer. Você pode dizer que isso é normal. Tudo bem. Mas até um certo limite, não é? Vou além, não consigo lembrar de nome de atores da atualidade, de nomes de filmes que assisti recentemente ou de música e seus compositores/cantores.

Que diabos está acontecendo comigo????

Imaginem que até para escrever tenho me esquecido com frequência a grafia correta das palavras! Acredito que normalmente vamos acumulando conhecimento e aprendendo a grafia correta das palavras, principalmente quanto o editor de texto marca as palavras erradas. Fico me perguntando: como me esqueci a grafia desta palavra? E pior, são palavras que utilizamos normalmente! Isso está me assustando!

Bom, para terminar, como sou impressionista, estou sempre tendendo à opção da velhice, da proximidade da morte, ou, de forma mais "elegante", do fim da vida. É o sinal! Tenho certeza que estou mais "prá lá do que prá cá" - é matemática/estatística: já passei da metadade da expectativa de vida do brasileiro.

Como disse, isso não me preocupa muito. Aliás, me faz é querer curtir a vida cada vez mais, aproveitar mais cada momento, conhecer mais, experimentar mais, perder mais o juízo (quero dizer: não me podar tanto), por que a vida é curta!!

Então fica a dica: "carpe diem" - esse é meu lema - e acrescento: sem arrependimentos - odeio arrependimento (mas isso fica para outra postagem ;)

A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez.
Friedrich Nietzsche

Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.
Machado de Assis

O esquecimento é a morte de tudo quanto vive no coração.
Alphonse Karr

O esquecimento é maior que a morte, porque termina o que a morte começou.
Valter da Rosa Borges

Conservar algo que possa recordar-te seria admitir que eu pudesse esquecer-te.
William Shakespeare

"Rerum irrecuperabilium summa felicitas oblivio."
O esquecimento das coisas irrecuperáveis é a maior felicidade