quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Caminho sem volta...

Quem já não quis dar um "rollback" na vida?

Tem vezes na vida que temos que tomar decisões que não têm volta. Não temos como desfazê-las.
Seria o caso de "deixar como está"?
O fato de "deixarmos como está" não deixa de ser uma decisão que por sua vez também pode ser irreversível.

Não é questão de arrependimento ou de ter medo de se arrepender.
Não acredito que devamos nos arrepender de ter feito algo. Para mim, se arrepender der não ter feito é pior!

Nunca imaginei que fosse me encontrar em uma situação dessas.
Quando a decisão não envolve "terceiros" é mais fácil. Se der "merda" você se ajusta, contorna, "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima".
Mas quando envolver outras pessoas... complica!

É igual a um sistema termodinâmico com alta entropia... uma vez desorganizada, as coisas nunca voltarão ao que era... uma vez o ovo quebrado, não tem quem o restaure. "...podemos dizer que o tempo vai para frente porque a entropia cresce."

"E o tempo, para o cosmo como um todo, continua sempre marchando avante, indiferente às nossas inquietações existenciais."

O tempo é a "máquina" que movimenta as coisas e não deixa que elas retrocedam.
É um caminho sem volta...

Leia mais...

Avaliar os riscos, mitigar os impactos e fazer um "plano de contingência" são técnicas para tratar essas situações. Mas isso não alivia nem resolve os conflitos e dilemas. Mesmo porque o "projeto vida" é infinitamente mais complexo que um projeto arquitetônico, de engenharia ou de sistema.

Temos que ter sempre em mente que no dia-a-dia "marcamos" pessoas e somos "marcados" por elas, por isso o cuidado que devemos ter ao tomar decisões que "marcam" de forma negativa, principalmente pessoas que amamos. Ao mesmo tempo temos que pensar em nós para não nos marcarmos desta mesma forma.

Ah! Não me venham com aquela frase de Saint-Exupéry que fala da responsabilidade pelo o que cativamos... bah!

"É nos momentos de decisão que o seu destino é traçado"
Anthony Robbins



sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

De volta ao mundo dos vivos...

Tem momentos na vida em que precisamos parar para "arrumar a casa".
Ainda não consegui terminar de arrumá-la por completo.
Mas já fiz uma boa "faxina", joguei várias coisas "fora", guardei com carinho algumas e "lavei" outras tantas...

Agora estou na fase de colocar o que restou no seu lugar. Um novo lugar...

Até me perguntei: será que eu que não estou no lugar certo!?
Será que não devo me colocar em outro lugar?

Ao mesmo tempo bate aquele velho medo da mudança...

Deixo uma mensagem que me motivou a voltar ao blog e recomeçar a escrever:


"É um erro confundir o desejar com o querer.
O desejo mede obstáculos.
A vontade vence-os.
"

Alexandre Herculano


segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Pensamentos...

Somos máquinas de pensar?
Às vezes me sinto como uma máquina que processa dados (pensamentos) mas não produz conhecimento.
Tomo decisões, respondo e-mails mecanicamente, racionalmente baseado nas informações (dados) de forma automática como um processador computacional.

É o pensar mecânico despido de sentimentos e de juízo de valor, reto, digital, discreto ( em contraposição ao contínuo, matematicamente falando).

Sinto necessidade de um tempo para mim, para produzir idéias, para interpretar o mundo, dar cores às cenas, sentir (e relembrar*) os cheiros** das coisas e das pessoas - descobrir muitas coisas e inventar outras tantas, poder influenciar no destino (meu e dos outros) e não ser um mero repetidor/reprodutor de idéias alheias.

* Por falar em "lembrar" ouvi algo sobre a lembrança: "a lembrança é como um faca que de vez em quando nos corta"

** Acredito que o olfato é um dos sentidos mais aguçados que tenho. Freqüentemente os odores me conduzem ao passado e me trazem lembrança (ela mais uma vez!) boas, saudosas e algumas ruins. Gosto de sentir o cheiro do desejo e do beijo que por sua vez às vezes tem cheiro de sexo. Beijo sem cheiro é como comer sem sal, sem doce, sem tempero.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Reinventando o Amor

É possível?

Reconquistanto o outro
Surpreendendo o outro
Admirando o outro

Sonhos compartilhados
Felicidade construída

Passado valorizado
Passado admirado
Passado: lições aprendidas

Sinceridade em voga

Individualidade respeitada
Individualidade preservada

Corações abertos

Diferenças reconhecidas
Diferenças aceitas

Muita conversa
Muita besteira

Pudor derrubado

Intimidade limitada*

Segredos?
Se for o caso...

Novo amor criado
Novo amor construído
Novo amor constituído.

* Dizem que a intimidade é o que estraga uma relação
Sim, acredito nisso piamente...

"O mistério nasce na distância e morre na intimidade."
Valter da Rosa Borges

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Paixão, sexo, amor e casamento...

Qual a fórmula para torná-los eternos?

Tá bom, nada é eterno.
Mas "que seja eterno enquanto dure" - ótimo!
Comentei anteriormente que esses sentimentos são independentes e podem ser vividos concomitantemente - inclusive com pessoas diferentes.
Porque o ser humano gosta de "eternizar" os sentimentos?

"Amor Eterno" - sentimento cinematográfico...

Porque não curtirmos o momento, vivemos intensamente cada minuto, cada segundo, sem nos preocuparmos com o minuto seguinte, com o dia seguinte, com o ano seguinte?

São questões que tento responder e entender para facilitar a prática desse discurso.

Mas uma coisa não posso deixar de comentar...
Certa vez li em algum lugar que deveríamos nos "casar" com alguém que imaginamos conversar e manter uma relação de amizade, cumplicidade, companherismo por muito tempo pois após toda a fase de paixão e sexo só nos restará o amor, cada vez mais refinado, mais polido e mais maduro e mais puro...

Mas, enquanto essa fase não chega, o que devemos fazer?
Atender a todos os nossos desejos?
Complicado fazer isso quando envolve pessoas... ainda mais pessoas que gostamos e até mesmo amamos.

É isso...
Quem disse que a vida não é complicada?
; D

"Se resistimos às nossas paixões, é mais pela fraqueza delas que pela nossa força."

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Amor e tipos de amor

Você acredita em amores diferentes com várias intensidades?

Pois é... ultimamente tenho pensado muito sobre o amor, seus tipos e intensidades. Antes de mais nada é preciso distinguir amor de paixão.
"Uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa" :)
"Paixão é fogo que arde sem se ver", é uma coisa "incontrolável", que nos consome de dentro para fora; que nos excita, nos causa taquicardia, ofegações, tremores...

Li em algum lugar:
"O amor é a sede depois de ter bebido..."

Prefiro dizer:
A paixão é a sede depois de ter bebido...

Acredito que paixão e amor não têm ligação alguma, não têm relação de dependência e podem co-existir. Isso, ao mesmo tempo. Amor é outra coisa. É brando, é calmo, é curtido, é maturado.

Quais são os tipos de amor?
Será que são todos a mesma coisa?
Não. Definitivamente não.

Não se ama um pai da mesma forma que um filho; que por sua vez é diferente que o amor "homem/mulher" ou do amor entre duas pessoas que se relacionam (sexualmente inclusive); que é diferente do amor de um irmão ou de um amigo.

Até hoje nunca senti amor maior do que o que sinto pelo meu filho. Amor de pai é diferente do amor de mãe. Sem dúvida o de mãe é muito maior - observe que o que sinto pelo meu filho é o maior que já pude senti. Acredito que o amor de mãe pode chegar à beira do incondicional...

Antes de ter filho o maior amor que pude sentir foi o por minha mãe - seria então o complexo de Édipo evidenciado? - hehehe

Eu costumava dizer que amor (de relacionamento) é a "evolução" da paixão; é o amadurecimento dela. Uma coisa vai se transformando em outra. É como conservação de energia que estudamos na física.

E como surge o Amor?
Os "amores familiares" - chamo assim os amores paternos, maternos e fraternos - normalmente surgem de forma natural, com a criação, com o convívio.
O "amor de amigo" surge também com o tempo, com a afinidade, com a cumplicidade e esse, fora os "familiares", são os mais estáveis, os mais duradouros, os mais simples, são espontâneos, são "de graça" (escrevo entre aspas pois acho que nada é de graça, tudo é uma questão de troca - mas isso é questão para outra postagem).
O "amor de relacionamento" é aquele proveniente do amadurecimento da paixão. Logo, tem todo um contexto, toda uma história, toda uma evolução e que pode se tornar "vicioso", acomodado, estático, igual, até mesmo doentio.
A acomodação cria uma estabilidade, uma "zona de conforto" que te envolve, te prende, te aprisiona.
Todo seu histórico, todas as lembranças (olhe a "maldita" novamente) são como barreiras invisíveis que te "impedem" de te afastares dele, por mais que nossa razão queira, nossa emoção não deixa (vejam essa postagem de Sam).

"O amor não é feito de trocas de olhares, mas de olharmos juntos na mesma direção"

Já a paixão... inicia essencialmente pela troca de olhares...

E a intensidade?
Amamos todos (dentro das classificações acima) na mesma intensidade?
Claro que não! Apesar de não existir uma escala para medir amor sabemos que podemos amar um amigo mais do que outro, um irmão mais do que outro, um filho mais do que outro (por mais que os pais neguem - hehehe)

Bom, chega de tanto amor. Amor é "bonito" mas amar "cansa". Tem horas que a "obrigação" de amar (será que isso seria realmente amor?) nos esgota - principalmente se não é retribuído.

Temos que ter em mente que é no amor próprio que devemos investir sem medo de errar, pois o fato de amarmos muito outra pessoa não quer dizer que essa pessoa tenha alguma obrigação para conosco. Ninguém depende exclusivamente de um amor (específico) para viver.


terça-feira, 21 de agosto de 2007

Felicidade...

Você é feliz?

Desde adolescente que venho pensando sobre a felicidade. O que é felicidade? O que é ser feliz? Se te perguntarem: vc é feliz? Qual será sua resposta? Talvez a maioria das pessoas digam que são. Eu diria que não. Eu não sou feliz. Eu estou feliz.

Felicidade não é um sentimento contínuo.
É discreto. É pontual.
Você é feliz o dia inteiro todos os dias?
Felicidade são momentos de prazer, de relaxamento, de desprendimento, de curtição, de paz, de tranqüilidade.
"Feliz" é aquele que está feliz o tempo todo, todo o tempo.

Você está?

Continuando a minha análise, venho observando com o tempo, com a maturidade, com a experiência, que os momentos de felicidade vão diminuindo com o tempo.

Não?

Vejam bem, pensem comigo: quem passa a maior parte do tempo feliz: uma criança ou um adulto?
É isso... comigo é assim... o tempo vai passando e lembrando do passado penso: ontem eu era mais feliz que hoje, ou melhor, ontem eu tive mais momentos felizes do que hoje.
Lembro da minha adolescência quando somente estudava e pensava - naquela época: não vejo a hora de entrar na faculdade e só estudar o que eu gosto; E pensava também: bom era quando eu estava no jardim de infância... só ficava desenhando, pintando e brincando;
Depois quando entrei na faculdade vi que as coisas não eram tão melhores assim...
Não via a hora de me formar e começar a trabalhar. Ganhar independência. Ganhar minha "liberdade". E pensava também: bom era quando eu estava na escola. Só fazia estudar e me divertir; Depois da formatura vem o trabalho. Maior carga horária, maior a "receita", porém maior a despesa. Parcela do carro, seguro, aluguel, condomínio, luz, telefone, etc. Paro e fico lembrando da época da faculdade: época boa foi aquela! Estudava, tinha férias duas vezes ao ano, a grana que rendia no estágio não era muita mas dava para me divertir.
Depois disso vem família, prestação da casa própria, escola dos filhos, contas, etc....
E assim por diante.
Hoje penso (planejo) na minha aposentadoria. Será que quando eu estver aposentado não irei pensar da mesma forma? "Ah... época boa era aquela em que eu trabalhava, me sentia útil, produtivo, e ainda tinha pique para brincar com os meu filhos..."

Resumindo: o que percebo é que a cada dia que passa os momentos de felicidade vão "rareando" ou são menos significativos ao pondo d'eu nem notá-los.
Não quero dizer que sou infeliz, ou melhor, não estou infeliz a maior parte do tempo. Mas sempre acho que "ontem" eu tive mais momentos felizes que hoje.
E amanhã?
Será que esses momentos serão mais raros ainda?
É bom reforçar a idéia de que pelo fato d'eu não estar feliz em um determinado momento não quer dizer que estou infeliz. Certo?

Li um texto de Charle Chaplin que casa certinho com o que escrevi:

"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina.
Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente.
Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo.
Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar.
Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria.
Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.
Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando.
E termina tudo com um ótimo orgasmo!
Não seria perfeito?"

Não é interessante? Ou será que estou sendo pessimista?

"As crianças são quase sempre felizes, porque não pensam na felicidade. Os velhos são muitas vezes infelizes, porque pensam demasiadamente nela."
Paolo Mantegazza